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Festival do Rio 2014: Debate com diretora Najwa Najjar:Olhos de ladrão


Por Sonia Rocha

27/09/2014


Após a sessão de estreia de "Olhos de ladrão" a diretora Najwa Najjar promoveu um debate com a plateia respondendo a perguntas do público sobre a produção do filme, a situação dos territórios palestinos e o objetivo geral, que é a divulgação dessa situação mundo afora. Durante o evento tiveram desde perguntas relativas a obra, até outras sobre as questões políticas mais polêmicas, como a composição do parlamento palestino que inviabilizaria a solução do problema (pergunta essa nada bem vinda). O debate se mostrou inteligente e pertinente, e ainda, deixou claro que, mesmo em terras Cabrálias, o pessoal não vai assistir a um filme atoa.


Sobre a inspiração para fazer o filme Najwa disse que, em 2002 um jovem atirou deliberadamente em um grupo de soldados num dos postos de checagem israelenses (cena essa que consta no filme) e que a partir desse evento ela resolveu escrever a história. E para recheá-la de humanidade, decidiu versar sobre a busca de um pai pela filha perdida. Então, é uma história sobre a emoção desse pai. Na mesma linha de humanização, a personagem de Malak, se insere na reflexão sobre o futuro das crianças num contexto tão conturbado. Ela é uma personagem ágil, viva, que reage, protege o irmão, luta, esbraveja, é uma guerreira. Malak é um símbolo de esperança.


Mas nem tudo foram flores, ao responder sobre o processo de filmagens no território palestino ocupado Najwa disse que foi bastante difícil, pois demoraram para obter a permissão e quando conseguiram só tiveram vinte e cinco dias para realizar as filmagens e, em meio e uma intervenção do exercito israelense no campo de refugiados em que estavam.


O que trouxe a questão política à discussão. E partir de questões do público concernentes ao tema, Najwa fala sobre o que, como palestina, acredita que o filme ressalte e a estratégia que usou para que ele tivesse longo alcance. (...) "nós (os palestinos) não queremos a violência, mas há certos assuntos que queremos discutir e pensar" e a forma de dar peso ao filme para que tivesse um alcance maior foi chamar Khaleb Abol Naga , que é uma grande estrela do cinema e TV egípcios e Souad Massi que é uma grande cantora argelina. E é a primeira vez que são trazidos estrelas desse porte para o cinema palestino. A produção de "Olhos de ladrão" achou importante fazer isso para contar uma história com esse objetivo, o de torna-la o painel de uma causa.


E acrescenta ainda que não se pode fingir que está tudo bem na cultura se na política as coisas não estão. E diz que, o filme foi uma maneira de inserir o palestino no coração do mundo árabe, e para tanto já tem previsão de estreia no Cairo. É uma maneira de fazer uma coisa nova. Mesmo neste contexto difícil, são produzidos mais ou menos três filmes de ficção por ano, curtas e documentários no mundo palestino. E para a grata surpresa do público, Najwa aproveitou para contar em primeira mão que o filme "Olhos de ladrões" está no processo para a corrida a disputa ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro.

 

#FestivaldoRio2014