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EM BREVE NOS CINEMAS

Festival do Rio 2014: Asteroide


Por Raquel Messina Cukierman

27/9/2014

 

O filme se passa no México, em que depois de sete anos na Europa a irmã Cristina, que é mais nova que Maurice, volta para a casa depois da morte dos pais. Ela encontra o irmão em estado de angústia, mas que é apaziguado pela presença de Elda, uma jovem menina de apenas 21 anos, muito mais nova que ele. Ao retornar, memórias começam a tomar conta de ambos sobre uma grande tragédia ocorrida na sua pequena cidade natal, que vai assombrar os dois até o final da estadia de Cristina. Ao tentar renovar seus ânimos, Maurice que é extremamente apegado a casa dos pais que está recheado de memórias mortas, dá de cara com o mau-humor e a falta de vontade de viver ali de Cristina. Ela detesta Elda, e a provoca á todo custo, para que deixe seu irmão em paz. Além deles, o primo em comum aparece repentinamente no quarto de Maurice, e Cristina se encontra amorosamente com ele ali. E assim, figuras do passado retornam em suas realidades, e que os fazem questionar da razão de estarem ali.


Tanto Sophia Espinosa (Cristina) quanto Arturo Barba (Maurice) são atores que envolvem o espectador, que fica curioso para saber seus segredos e seus pensamentos mais íntimos (o que não ocorre), que despertam um mistério de melancolia no olhar, em especial, a atriz de Cristina. Várias cenas são gravadas em que apenas aparece o personagem do quadril para baixo, o que tira o lugar-comum das filmagens tradicionais, supondo que não importa quem seja, o que importa é o que a figura revela sobre a história. Já a atriz que faz a amante de Maurice é uma figura comum e não reflete nenhum sentimento em especial, e o destaque certamente é Cristina e seu primo (Ari Brickman), que seguram o roteiro que é mau aproveitado, muito lento, e que não diz muita coisa além do óbvio. A tragédia não fica muito clara, apesar de terem encontrado formas alternativas de representar o acontecimento sem ser explícito, toda trama roda sobre farelos e restos de memória. A produção é simples, o que cai bem com a fotografia que acaba aproximando a câmera do rosto, e mostra cenas em slow-motion ou paradas onde figuras do passado e do presente se encontram. O filme fica entre a casa, lugares abertos ou fechados que despertam a lembrança, representando o conflito individual e interior e exterior dos irmãos consigo mesmos. A trilha sonora é fraca, mas começa a ficar muito interessante ao final do filme, com uma música que poderia ter sido o tema do filme desde o início, com o estilo bem sensual, mexicano, lento, interpretado por uma vocalista de uma banda em um bar onde os personagens comem.


Resumindo, o visual do filme cai bem no roteiro (que fica um pouco confuso no meio, mas no fundo não altera a mensagem da trama), os atores tinham muito mais potencial para ser explorado, e como filme mexicano ele tem características muito europeias de local, de fala, e a forma como a história está sendo contada. Poderia ser um filme americano, tem tudo para ser um, mas ao mesmo tempo, a forma como ele é feito, com os cortes de cena, aproximação da câmera, uma melancolia de filme alternativo europeu, acaba comprometendo o fato de estar representando o México no cinema. Ele poderia ser um filme maravilhoso, intrigante e excitante, mas acaba perdendo essa vantagem quando tenta passar uma idéia de algo que, aparentemente, não tem uma raiz mexicana e nem aquele charme da américa latina que compartilhamos. Ele deixa uma sede de curiosidade, mas que se perde em algum momento precioso do filme.

 

Festival do Rio 2014 - Mostra Foco México

Asteroide (Idem)

México, 2014. 1h42.

Direção: Marcelo Tobar
Elenco: Sofía Espinosa, Arturo Barba, Sophie Alexander-Katz, Ari Brickman