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EM BREVE NOS CINEMAS

A Bela e a Fera


Por Rassa Rossi
17/9/2014

Quando Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve escreveu "A Bela e a Fera" em 1940, provavelmente no pensou que sua histria se tornaria to famosa e que ganharia tantas verses - literrias, televisivas, teatrais e cinematogrficas - em todo o mundo. No cinema, teve sua primeira representao pelas mos de Jean Cocteau e Ren Clment em 1946, mas foi a animao musical da Disney (1991), a primeira a concorrer ao Oscar de Melhor Filme, que internacionalizou e tornou o conto de fadas francs um clssico inesquecvel. De volta s origens, o mais recente remake homnimo de "A Bela e a Fera" estreia este ms nos cinemas brasileiros num projeto ambicioso do diretor Christophe Gans ("O Pacto dos Lobos") com muita magia, efeitos especiais e aventura.


Numa mistura da verso de Cocteau com a da Disney, "La Belle et la Bte" (no original) se passa no ano de 1810. Um comerciante (Andr Dussollier), pai de trs filhos e trs filhas, perde toda a fortuna num naufrgio que destri suas trs embarcaes e se muda para o campo a fim de evitar a humilhao. Somente a caula Bela (La Seydoux) aprecia a mudana de ares, e a inquietao toma conta de seus irmos. Quando seu pai arranca uma rosa do jardim de um palcio misterioso, a Fera (Vincent Cassel) surge e o condena morte pelo roubo em sua propriedade. Bela, se sentindo culpada pelo que aconteceu, vai at o castelo para salvar a vida do pai e passa a viver l com a Fera, com quem obrigada a jantar diariamente. Aos poucos, ela descobre o passado do monstro e comea a se envolver com ele, que v na moa uma grande possibilidade de romper a sua maldio.


Com uma fotografia belssima de cores vibrantes, timos efeitos especiais na maior parte do tempo e figurinos luxuosos impecveis, "A Bela e a Fera" o tipo de produo que se v muito pouco na Frana, no s pelo alto oramento exigido como por ser bastante hollywoodiano. Apesar de Gans negar influncia de produes americanas do gnero, seu longa no deixa nada a desejar em relao s mesmas, como "Branca de Neve e o Caador" e "A Garota da Capa Vermelha", e, sim, possui semelhanas, principalmente no que se refere ao excesso na utilizao de efeitos especiais, que soam artificiais em cenas especficas. No vemos em momento algum da narrativa a influncia de seu dolo, Hayao Miyazaki, que Gans afirma haver.


"A Bela e a Fera" de Gans mescla romance fantstico, aventura e mitologia num filme francs bastante americano, algo raro no cinema do pas de Napoleo, e acaba deixando o espectador perdido quanto ao gnero de filme a que est assistindo. Se as sequncias que mostram o passado de Fera como prncipe atravs dos sonhos de Bela so de grande beleza e com efeitos interessantes, elas tambm apresentam elementos mitolgicos que parecem perdidos em meio a toda a trama, ao mesmo tempo em que h uma boa reconstituio de poca. Alm disso, muito pouca a interao de Bela com as criaturinhas que ela diz serem suas melhores amigas no castelo e o romance com Fera fica em segundo plano no roteiro de Gans, que deseja mostrar o quanto sua pelcula visualmente suntuosa em detrimento da coerncia da histria. Talvez este seja um dos motivos pelos quais os atores no parecem confortveis em seus papis e sua atuao no tenha nem metade do brilho empregado em seus figurinos e cenrios.


Altos e baixos compem "A Bela e a Fera" de Gans, o que faz dele um filme mediano. Devido combinao inusitada de temas, difcil afirmar que se destina totalmente ao pblico infantil, que poder se sentir confuso e entediado em diversos momentos onde h dilogos mais longos que o necessrio e visvel perda de ritmo e de sentido na histria. Alis, o mesmo pode ocorrer com os adultos. A combinao de elementos do cinema americano com elementos do cinema francs no deu muito certo desta vez. Entretanto, no se pode negar que a iniciativa de Gans em investir num gnero pouco recorrente no cinema francs louvvel, e por isso merece crditos.