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EM BREVE NOS CINEMAS

Pingo Dágua


por Filipe Pereira, em Brasília

20/9/2014

 

"Pingo DÁgua" remonta a vivência e experiência de fazer arte, usando três locações distintas que se confundem ao meio ao texto, e cuja abordagem hermética consegue condensar tudo de um modo coeso, inventando em si um universo compartilhado entre todos os atores.

 

Um dos sentimentos predominantes no conto é a sensação de obsolescência, presente na fala do primeiro personagem focado. No entanto, a ânsia em inserir o expectador na trama não deixa rastros muito grandes, uma vez que o hibridismo entre o documental e o ficcional não funciona perfeitamente em toda a extensão da fita, especialmente por conter em si uma contemplação do ócio em meio ao processo artístico, que não é nada glamouroso.

 

A interessante premissa se perde em meio a cenas morosas que expõem uma futilidade atroz em meio ao processo de criação artística. Se a ideia é causar estorvo ao público e incômodo pela rotina horrenda apresentada na vida de cada um dos personagens, o filme acerta em cheio, no entanto a escolha é perigosa, uma vez que a experiência em terminar de assistir Pingo DÁgua é exaustiva.

 

O retorno à cena primária identifica, através de um simbolismo possivelmente involuntário, a falta de um maior rumo narrativo, andando em círculos o tempo todo. Impressiona a previsibilidade de seu desfecho, mesmo com a ausência de roteiro. A ideia do filme não se sustenta até o final, com diálogos tão soltos que pareciam como dentes sambando em uma boca quase toda banguela. O exercício do filme é demasiado alongado, mesmo com a proposta intimista.