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EM BREVE NOS CINEMAS

Festival de Brasília: O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias


por Filipe Pereira, em Brasília

20/9/2014

 

Pinçado entre os nove semi-finalistas do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2007, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias narra um conto leve e pueril sobre o período mais turbulento da história brasileira, a Ditadura Militar. Narrado sob os olhos de um menino, a história de Cao Hamburger é focada na vivência de Mauro (Michel Joelsas), que de repente é obrigado a ficar alocado com seu avô paterno graças a uma viagem de férias.

 

No entanto, a trajetória de Mauro é cortada pela entropia, e seu avô não pode ficar com ele, deixando-o com Shlomo (Germano Haiut), um senhor judeu de idade avançada que é completamente reticente ao papel forçado de figura autoritário para o menino. (o reticente deixou um pouco confuso, ele é uma figura autoritária para o menino ou não?).

 

Hamburguer se vale da sua vasta experiência com o público infanto-juvenil para propiciar em sua película, uma fina camada de verniz, que esconde em si uma história de cruel repressão e exílio, motivada pelos governantes que caçavam aqueles que se opunham aos seus interesses, entre eles, os pais do protagonista. A fotografia é prodigiosa, exibindo uma aura de leveza até não condizente com o assunto tão espinhoso.

 

A ilusão do menino é fundamentada no amor pelo futebol e pelo dream team brasileiro que conquistou o tricampeonato em 1970 no México, mesma artimanha utilizada no clássico Pra Frente Brasil, o que repercute até na decisão e no sonho do rapaz em se tornar um goleiro. O ato final mostra a difícil separação do menino e seu cuidador. Cena que além da dor da partida, ainda conta com a forçada ausência de um de seus entes queridos, de destino incógnito e cujo final é devastador, apesar dos eufemismos.