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EM BREVE NOS CINEMAS

Festival de Brasília: Jogo da Memória


por Filipe Pereira, em Brasília

 

Remetendo a um jogo infantil e com uma premissa condizente com esta fase da vida, Jogo da Memória é a nova atração de Jimi Figueiredo. O filme conta a história da ex-modelo Pérpetua, que retorna a Brasília graças ao falecimento de sua mãe. Lá ela reencontra fantasmas do passado, amores mal resolvidos, e tenta resgatar o contato com sua filha, que há muito não via.

 

O que é registrado pela câmera é um teatro improvisado, onde uma quantidade mórbida de pessoas deslocadas tenta realizar os arquétipos mais artificiais possíveis. Qualquer um que apareça minimamente em tela parece ter ao menos um pé na irrealidade e na falsa aparência de normalidade que envolve o núcleo de Pérpetua.

 

O elenco de globais, encabeçado por Viviane Pasmanter e Dalton Vigh - consegue se enfiar em situações nonsenses, tão mal conduzidas que parecem tiradas de um esquete cômico, condizentes com piadas de duplo sentido e baixíssimo caráter. A falta de intimidade de alguns atores com a câmera é notória, especialmente na aura de falsidade que envolve as personagens irmãs de Rosanna Viegas e Simônia Queiroz, que rivalizam na concorrência pelo título de pessoa mais deslocada da trama. Talvez o intuito do diretor tenha sido exatamente esse, fazer o público experimentar o incômodo vivido por elas.

 

De final inconclusivo, Jogo da Memória é um exercício de frivolidade, cujo conteúdo envolve a inexistência de assuntos sérios mesmo que as vivências de suas personagens sejam dramáticas. A frivolidade é a tônica da obra, que possivelmente terá a atenção diminuta do público.