almanaquistas contatos cadastro parceiros

AGENDA DE SHOWS

EM BREVE NOS CINEMAS

Festival de Brasília: Debate com Tacitano Valério de Pingo Dágua


Ator e ex-crítico diz não busca sentido em seu novo filme


Jean Claude Bernardet diz evitar personagens em sua nova empreitada


por Filipe Pereira, em Brasília

 

No terceiro debate do 47º Festival de Brasília, foram discutidas as feitorias dos longa-metragens "Pingo Dágua" e dos curtas "Geru" e "Vento Virado". O diretor do longa Taciano Valério destaca o enorme volume de improvisações, reafirmando o desejo que os move e a dúvida que os movimenta e que por isso não havia roteiro, e sim corpos vibráteis que os inspiravam.

 

Em meio a todas afirmações psicodélicas, o realizador destaca o desejo, a falta e o espaço, e quando acuado pelos críticos, ele dizia que era preciso sentir, e que isso não é um exercício fácil. O ator Jean Claude Bernardet busca mais densidade e instinto em detrimento da significação e afirma não ser afeito a fazer personagens.

 

O baixo orçamento da fita é destacada pelo produtor do filme, Cavi Borges:
"Este é um produto típico para festivais."

 

Taviano assume que seu filme é feito num plano horizontal, a platéia é pivô do cinema arborativo, o que na prática é como se disesse que este é uma fita para o emissor e não para o receptor. Jean Claude responde na mesma linha, afirmando:
"Eu Vejo o Pingo Dágua como um filme sem sentido."

 

Já pelos curtas a conversa foi menos nauseabunda. Em "Geru" destacou-se o papel de Seu Zé de um dos produtores, um senhor centenário que mora em Sergipe e que jamais teria ido ao cinema. A interação dele com a câmera é enorme e emocional, tendo até conduzido algumas cenas, a despeito até dos diretores. Já em "Vento Virado" destacou-se a declaração de que os cortes de filmagem eram definidos no processo de captação e claro, com destaque especial para a definição do termo que dá nome ao filme - é um mal que ataca crianças, e que causa desarranjos digestivos - o que colaborou com a formação do ethos do filme.