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EM BREVE NOS CINEMAS

Festival de Brasília: Cineasta fala que Ministério Público é sacana


Diretor e produtora do documentário prisional Sem Pena falam da emoção durante as filmagens.


18/09/2014

por Filipe Pereira Em Brasília

Pela ordem, o primeiro debate do 47º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro contou com as presenças das produções de três filmes, os curtas Loja de Répteis e Bashar, além do longa-metragem Sem Pena que teve seu diretor Eugênio Puppo (foto) no centro dar articulações.

O realizador afirma que não mostrar os entrevistados visava desassociar a imagem dos estereótipos arquétipais, para que as profissões e posições sociais dos depoentes não influenciasse a opinião do expectador, além de tentar fugir da cafonice ao extremo do visual televisivo.

A idealizadora e produtora executiva Marina Dias diz que a idéia é trazer o drama das pessoas e não vilanizar ninguém, evitando maniqueísmos, mostrando que o grave problema está no sistema e não nas pessoas. As entrevistas ministradas eram de duração longa, em torno de quatro horas cada uma, começando sempre com falas sobre a infância do entrevistado, visando-os quebrá-los, para que ao final de todo aquele longo período, as respostas começassem a ser mais emocionais e verdadeiras.

Tocando em um assunto delicados, que envolviam o destino e a liberdade de pessoas comuns emocionavam os membros da equipe, que se emocionavam ao contar a vivência dos acontecimentos de dentro das locações prisionais. Ao ser perguntado sobre qual era o equilíbrio entre emoção e a informação na edição de seu filme, Puppo revela o quanto isto reverberou em sua alma: Eu tinha parado de fumar há três anos e meio, voltei a fumar assim que começaram as gravações. Meus familiares orgulhosíssimos me parabenizaram e logo depois se decepcionaram. Há uma escaleta, composta por uma sociedade punitiva, um ministério público sacana, um poder judiciário que prende muito e é despreparado, é a síntese do negócio, eu penso muito nisso e sofro muito com isso, até hoje, é como uma máquina imparável.

No começo, o diretor Diogo Faggiano parecia nervoso, mas aos poucos ele se soltou, respondendo as indagações dos críticos. Seu Bashar trata de uma história política, situada na Síria, contendo até um pouco de comédia em sua abordagem. O viés político é vivo, traçando paralelos com a Terra de Ninguém que predomina na Síria. Já na discussão referente a Loja de Répteis, o diretor Pedro Severien destaca as influências do giallo italiano e do movimento dos animais, que remetia a sexualidade humana, encarnada na pele da bela atriz Maeve Jinkings.