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EM BREVE NOS CINEMAS

Festival de Gramado: Alceu Valença estreia com A Luneta do Tempo


E completando a noite de estreantes vem o chileno Las Analfabetas.

14/08/2014


por Roberto Cunha, em Gramado

Quarta-feira foi mais uma noite de temperatura baixa, com termômetros namorando com os dois, três graus... Mas Alceu Valença, visivelmente inspirado no Velho Guerreiro Chacrinha (ao pedir palmas para o público) deu uma esquentada no clima, com uma longa e bem humorada apresentação de seu filme A Luneta do Tempo, aqui no Festival de Gramado 2014.

Na tela grande, o público rapidamente mergulha no cangaço, nos tempos de Lampião e Maria Bonita, e se depara com um violento combate entre o grupo do bandoleiro e os homens do Tenente Severo. Daí em diante, o roteiro transita entre o real e o imaginário, fazendo uma dramática, divertida e sonora viagem, com trilha sonora interessante (música é a praia do diretor), porém, presente demais.

Através de diálogos inspirados na literatura de cordel, usando e abusando das rimas, não é difícil embarcar no filme, que insere ainda a magia do circo para perpetuar a ideia de que o personagem histórico não morreu. Entre as questões comuns ao povo da região, como a seca ou o apreço pela cachaça, o espectador se depara com um Lampião que não aceita a própria morte.

Para deixar esse balaio ainda mais porreta, Valença trouxe nomes já consagrados no cinema fora do eixo denominado "comercial", como Irandhir Santos e Hermila Guedes, e o resultado é bem interessante, embora mais para o final possa ter ficado um pouco confuso. Sem sombra de dúvida, A Luneta do Tempo é uma boa estreia.

Também estreante, o diretor Moisés Sepúlveda apresentou seu drama Las Analfabetas, exibido na Mostra SP 2013. Adaptado de uma peça de teatro homônima e com as mesmas atrizes que atuaram nos palcos, o longa chileno encantou a plateia, com a bonita história de duas mulheres adultas, que se descobrem na medida em que trocam experiências de vida.

Na trama, que é bem curtinha (73 minutos), uma mulher solitária, triste, acredita que foi abandonada pela mãe e enfrenta um grande dilema: não sabe ler. Quando a acompanhante dela adoece, surge a filha que se oferece para fazer a mesma coisa que a mãe: ler jornais, revistas etc. A jovem, no entanto, é professora e começa aí uma curiosa troca de conhecimento e descobertas para ambas.

Calcado em diálogos simples, e não por isso irrelevantes, as emoções dos personagens (e do espectador) afloram de maneira natural, na medida em que as conquistas de ambas vão se evidenciando, seja numa deliciosa primeira frase lida ("Mi mamá me mima.") ou numa emblemática frase proferida: "Ensinar é como fazer um milagre."

Deixando de lado o fato de que as atrizes já fizeram o mesmo no palco, a atuação de ambas é um dos destaques de Las Analfabetas, que prende sua atenção do começo ao fim. E se a ausência de belas imagens ou enquadramentos inovadores não vão incomodar você, a simpática canção "Rey de Espadas", de Jorge Mercado, e os créditos finais caprichados são compensatórios.

O Almanaque Virtual viajou a convite do Festival de Gramado.
Foto: PressPhoto