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EM BREVE NOS CINEMAS

Coletiva: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho


Texto e Fotos por Rassa Rossi
08/4/2014

Na ltima sexta-feira, dia 4 de abril, o diretor Daniel Ribeiro e os atores Ghilherme Lobo, Fabio Audi e Tess Amorim estiveram presentes na coletiva de imprensa do premiado longa-metragem Hoje Eu Quero Voltar Sozinho em um cinema no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro, que ocorreu logo aps a exibio do filme para os jornalistas.


Daniel Ribeiro iniciou o bate-papo respondendo sobre de onde surgiu a ideia de fazer o longa ou se ela surgiu apenas depois do sucesso do curta-metragem de 2010 em que se baseia, intitulado Eu No Quero Voltar Sozinho. Ele conta que desejava ter a histria do menino cego que se descobria gay como seu primeiro longa, mas que por ser estreante no conseguiria patrocnio; ento decidiu fazer o curta antes, que acabou caindo no Youtube e agradando muito o pblico. Com isso, ele precisou criar um novo roteiro para o longa, que precisava ser ao mesmo tempo diferente e parecido com o curta. Ribeiro explica que "o objetivo inicial era criar um filme que se comunicasse com muita gente e que gerasse um debate sobre a sexualidade, sobre de onde vem a nossa sexualidade, com esse personagem cego, que nunca viu um homem nem uma mulher e gay. Como a sexualidade muito atrelada viso, eu queria usar um personagem que no tinha esse sentido para gerar esse estmulo. Para isso, era necessrio um filme que dialogasse com muita gente. Eu tambm queria falar de temas universais: o primeiro amor, o primeiro beijo, a adolescncia, pela qual todos passam. Todos os fatores que eu queria retratar no filme acabaram levando para personagens mais leves e que tratavam dessas questes de forma mais delicada".


Sobre o sucesso em Berlim(o filme ganhou o Teddy Award, o prmio de Melhor Filme da mostra Panorama pela FIPRESCI e o 2 lugar do Prmio do Pblico na Berlinale 2014), Ribeiro se diz muito contente, principalmente por ser algo inesperado, j que o filme pequeno, no possui atores conhecidos nem uma grande verba, que foi de R$ 2,25 milhes. Alm de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, trs outras produes brasileiras participaram do Festival de Berlim deste ano, sendo duas com temtica homossexual (Praia do Futuro e Castanha), o que Ribeiro chamou de "invaso gay brasileira em Berlim". Ele discorre sobre o aumento de filmes nacionais sobre o tema, pois ajuda a desmistific-lo e a acostumar o pblico, mostrando toda a diversidade que existe por trs do preconceito.


Perguntados sobre como foi voltar a interpretar os personagens Giovana, Leonardo e Gabriel trs anos depois, a atriz Tess Amorim falou sobre a oportunidade de poder ter uma maior preparao para o longa e da retomada da intimidade criada no curta entre os trs, enquanto os atores Ghilherme Lobo e Fabio Audi enfatizaram a oportunidade de poder entender e desenvolver melhor os personagens no longa, j que o curta no permitiu por ter sido uma produo muito rpida, que no permitiu muitas preparaes. Quanto questo do possvel preconceito, o trio respondeu que desde o curta no sofreram preconceito algum em relao a seus personagens, com exceo de uma nica piadinha no colgio que foi logo reprimida pelos outros colegas de classe de Lobo.


Ribeiro e Tess articularam sobre a construo da personagem Giovana, que sempre se dava mal em ambos os roteiros (do curta e do longa) e era xingada pelo fs na poca do curta por atrapalhar o romance entre os dois meninos. Ribeiro diz que "Tess arrasou" e compensou Giovana fazendo dela uma personagem leve e divertida. Tess completa afirmando que o longa proporcionou a Giovana mostrar o amor fraternal e o seu cuidado com seu melhor amigo Leo, alm de seu lado extrovertido. Lobo explica como foi a preparao para viver um menino cego e que aprendeu a guiar e ser guiado como um cego, e a ler e a escrever em braile com uma deficiente na biblioteca braile de So Paulo na poca do curta em um -surpreendente - nico dia e que retomou a tcnica para o longa, pois queria que houvesse verossimilhana nas cenas em que Leonardo utilizava a mquina de escrever. Lobo diz tambm que por ser muito diferente de Leo, precisou buscar inspiraes em pessoas prximas para interpretar um menino reprimido pela me e que sempre pensou na questo do olhar caso viesse a viver um personagem com deficincia visual em sua carreira. "Ele tinha 14 anos quando fez o teste e veio com aquele olhar pronto. Foi impressionante. (...) O Ghilherme tem uma coisa muito instintiva de observao, acho que ele aprende instintivamente muito fcil", elogia Ribeiro. Por sua vez, Fabio Audi diz que quis dar ao personagem Gabriel caractersticas tpicas de um menino tmido do interior, que anda de bicicleta e brinca como um moleque.


Quanto trilha sonora, Ribeiro declara que escolheu as msicas com o montador, Cristian Chinen, e que, com exceo de Belle & Sebastian e das clssicas (que j estavam indicadas no roteiro), todas as outras msicas foram escolhidas na hora da montagem. Ele afirma tambm que fez um filme para si, que gostaria de ter visto quando tinha 16 anos, por isso quis ser o mais honesto possvel em vez de pensar muito se algo funciona ou no. Alm disso, admite que o vdeo do curta ter vazado no Youtube ajudou muito na divulgao e sucesso do filme pelo mundo, assim como as redes sociais e o contato com o pblico. Comentou, ainda, sobre o festival no Mxico, que as pessoas, fs do curta, tietavam muito o trio de atores nas ruas e na porta do hotel; disse que foi interessante, apesar de inesperada, essa transferncia do virtual para o real. Com isso e a exploso em Berlim, Ribeiro est ansioso para saber qual ser a reao do pblico brasileiro ao filme, embora saiba que a disputa com os gigantes No, Capito Amrica 2: O Soldado Invernal e Rio 2 nos cinemas ser grande. Ele ainda atentou para o curioso fato de fs fazerem campanhas online para que o filme seja exibido em suas cidades, em especial a pequena cidade de Mossor (RN), que pediu a construo de um cinema.


Ao fim das entrevistas, Ribeiro articula acerca do atual cenrio do cinema nacional e diz que h muitos fundos setoriais para cultura hoje em dia no Brasil e que h espao para todo tipo de filme, desde o blockbuster at o mais alternativo. Ele considera positivo haver grandes comdias brasileiras para brigar com os blockbusters estrangeiros, pois "ajuda a estimular as pessoas a verem filmes brasileiros".