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EM BREVE NOS CINEMAS

Arcade Fire no Rio


Texto por Filippo Pitanga

Fotos por Louise Duarte

05/04/2014

 

Quão regozijante ver o circuito indie-rock internacional vislumbrar o Brasil mesmo afora da magnitude do Festival Lollapaloza em São Paulo, pois o conceitual Arcade Fire agraciou o Rio com um pequeno desvio primeiro nesta 6ª feira, 04/05/2014. O palco: Citibank Hall no Via Park, Barra, com o nicho alternativo presente em peso (alguns setores lotados). O espetáculo: egressos da escola pós-punk e glam rock, mergulhados em influências britânicas (mesmo sendo canadenses), como Duran Duran e David Bowie (das performances ao vestuário artístico), em um liquidificador sonoro que perpassa instrumentos clássicos a distorção da eletrônica!


Após uma morna, porém apropriada abertura dos Djs The Twelves, o ligeiro atraso de 30 minutinhos foi apenas para adaptar o palco para uma acachapante viagem alucinógena extra-sensorial e dançante! Às 22h30 em ponto, as telas do Citibank Hall começaram a passar o videoclipe de Afterlife, mas a banda entrou no palco com o homem vestido de globo espelhado e a música título do mais recente álbum Reflektor (2013), onde os vocalistas, um casal na vida real, Win Butler e Régine Chassagne, exerceram magnetismo fascinante: ele pegando celulares do público para filmar a todos e tirar selfies dele mesmo, tanto quanto a descontração e comprometimento com a plateia de sua mulher, refletindo a luz com dois espelhos em riste! As influências étnicas na música, com pitada de reggae, já adveio com Flashbulb Eyes, usando o palco como um teatro visual: espelhos e superfícies reflexivas por todos os lados, 1º o telão detrás parecia uma pista disco com quadrados coloridos e depois uma espiral preto e branca à la vertigo, além de um cálculo milimétrico de aproveitamento de luzes psicodélicas gerando reação lisérgica na plateia.

 

Multinstrumentistas:

 

Logo após músicas mais recentes, vieram algumas clássicas do début, Funeral (2004), a agressiva Neighborhood #3 (Power Out...in the heart of man) e o colante e orgânico 1o sucesso internacional Rebellion (Lies), quase folk, onde, em meio tempo, todos os membros da banda corriam pelo palco trocando de instrumentos entre si (como os teclados na extremidade esquerda e os violinos na direita); em performances estilizadas e coreografias contorcidas com indumentária, máscaras, casacos de neon fosforescente no escuro etc, refletindo os looks e atitude do seleto público da noite, igualmente extravagantes e conceituais (levando seus próprios apetrechos, como purpurina a jogar pro ar; pompons e maquiagem fosforescente). Win Butler e Régine se alternavam entre guitarras, pianola, percussão, pandero, maracas, sintetizador, bongô etc, no que voltaram a contemplar o novo álbum, Reflektor, com a hipnótica Joan of Arc, e depois lançar um hit após o outro do apoteótico álbum The Suburbs (2010), com a própria homônima, numa versão bastante acústica que escalona até ser cantada a capela pelo público acompanhado apenas do piano; We Used to Wait (acrescentada ao setlist original) e a adrenalina viciante da bala nagulha punk Ready to Start (afinidade com indies como Pixies).

 

Im so happy to be in Rio


O cantor desfere inúmeros elogios ao Rio, uma de suas cidades favoritas no mundo, e aludiu ao ter introduzido a música The Suburbs como vai ficar nossa cidade maravilhosa após a Copa (lembrando que subúrbio no exterior quer dizer o contrário do que no Brasil, significando bairros ricos, e não humildes, mas que pecam pelo ócio e falta de ideologia - como parte das críticas ácidas de suas letras ao conformismo social e saudosismo da ousadia e empáfia da infância). Engajados politicamente, ainda agradeceram ao Brasil pela sua dor, por seus soldados no mundo, por aceitar imigrantes sem visto, pelo apoio de ajuda humanitária (aludindo a nossa participação no Haiti? Ou aos cubanos médicos sem fronteiras?)! - Como a letra de mais uma canção da estreia deles, com Neiborghood #1 (Tunnels).


A única vislumbrada do mais polêmico álbum Neon Bible (2007), deixando a belíssima My Body is a Cage de fora, foi No Cars Go, onde Régine tocou um acordeão, além do solo visceral do guitarrista Tim Kingsbury!
No entanto, o próprio álbum Reflektor foi o mais tocado, de rock mais progressivo, com ainda a aguardada Afterlife, escurecendo o palco e o telão detrás, para dar lugar a inúmeros faróis poderosos, e reintroduzindo o homem vestido inteiramente de um globo espelhado interagindo com a plateia... Depois com Its Never Over (Oh Orpheus) e Sprawl II (Mountains Beyond Mountains), Régine assume de vez com seus vocais etéreos líricos e carisma extravagante e fofo (brincando com fitas coloridas de ginástica olímpica feito criança, realmente o coração do grupo!), até a banda encerrar o show antes do Bis...


Brincadeirinha...


Voltaram ainda ao palco pregando uma peça, pois aproveitaram as famosas máscaras de papier-maché que usam às vezes, só que desta vez em seus eficientes rodies, que tocam uma música de Caetano... Até o Arcade de verdade assumir de novo com as novas e vibrantes Normal (iniciada com um pequeno riff de Sweet Child O Mine, pelo que Win chamou seu guitarrista de Slash com novo cabelo, rsrs); a dançante de reggae Here comes the night time, levando público de vez à loucura pulante em chuva de confetes; e, enfim, ao pedir que o Citibank Hall acendesse as luzes para poderem enxergar seu público e agradecer, encerrando com o hino cult Wake Up do débutcantado verso a verso por todos!

 

Show raro de se ver no Rio... mesmo sem Old Flame, rs. 

  

Formação Atual:


Win Butler
Régine Chassagne
Richard Reed Parry
William Butler
Jeremy Gara
Tim Kingsbury
Sarah Neufeld

 

SETLIST:


0. Afterlife (videoclipe instrumental)

1. Reflektor

2. Flashbulb Eyes

3. Neighborhood #3 (Power Out)

4. Rebellion (Lies)

5. We Used to Wait 

5. Joan of Arc

6. The Suburbs

7. The Suburbs (Continued)

8. Ready to Start

9. Neighborhood #1 (Tunnels)

10. No Cars Go

11. Neighborhood #2 (Laika)

12. Afterlife (com fragmento de Aquarela do Brasil)

13. Its Never Over (Oh Orpheus)
14. Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)

 

BIS:

 

Nine out of Ten (de Caetano Veloso, tocada pela banda fake The Reflektors)

 

15. Normal Person

16. Here Comes the Night Time

17. Wake Up