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EM BREVE NOS CINEMAS

Entre Nós


Por Emmanuela Oliveira
26/03/2014


Em Entre Nós, filme dirigido por Paulo Morelli e codirigido pelo seu filho Pedro Morelli, temos um grupo de jovens e, além da cachaça e do fumo, o sonho literário que os move. Não loucos e errantes como os personagens de Jack Kerouac no livro da geração beat On The Road (adaptado para os cinemas sob a direção de Walter Salles em 2012), onde o sonho literário é também motivação, seis amigos aproveitam a vida da melhor forma que sabem em uma bela casa de campo. O ano é 1992, entre a alegria e a crença na durabilidade da amizade, eles decidem escrever cartas, enterrá-las em uma caixa para dez anos depois desencavarem o tesouro.


Nesse caso, falar pouco pode ser o suficiente para revelar muito. A dica do agente de ruptura está no próprio cartaz de divulgação do filme - o título está escrito com a letra R ao contrário, R de Rafa (Lee Taylor), o amigo que tem no livro que terminou de escrever, cercado de mistério, a chave para o sucesso tão esperado. No roteiro premiado na última edição do Festival do Rio, sobra previsibilidade não apenas para desvendar acontecimentos de longo prazo, mas para também não ser surpreendido pelas ações que sucedem determinadas cenas. O melhor do filme é fornecido pelo personagem de Caio Blat, algo que facilmente suplanta a falta de surpresas ou as metáforas frívolas envolvendo a aparição de animais, mais insistentemente um besouro de pernas pro ar.

 

Esse ponto alto materialmente ausente na película, mas facilmente perceptível, é a angústia de Felipe, personagem que o ator (também atualmente em cartaz com o thriller Alemão) interpreta. Bem sucedido após a publicação do livro Ponto de Fissura, Felipe é o personagem mais interessante, a sombra que paira sobre o reencontro dos amigos dez anos depois. A idealização do futuro, agora presente, torna-se dolorosa na reunião. Há o vínculo fragilizado - senão rompido - frustração, corações partidos e os sorrisos da juventude que redundaram em discordâncias repletas de seriedade. Além do prêmio de roteiro do Festival do Rio de 2013, o filme também foi reconhecido na ocasião por duas de suas atuações - Martha Nowill e Julio Andrade, ele por menção honrosa do júri, obtiveram destaque por suas atuações coadjuvantes. Carolina Dieckmann (bem ofuscada), Maria Ribeiro e Paulo Vilhena complementam o elenco.