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EM BREVE NOS CINEMAS

Revelando Sebastião Salgado abre Festival de Brasília


Por Tony Tramell

18/09/2013

Institucional é a palavra mais adequada para descrever o documentário Revelando Sebastião Salgado que foi exibido na noite de abertura do 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, nesta terça. Dirigido por Betse de Paula (do recente "Vendo ou Alugo") e vencedor do prêmio especial do júri no Festival de Gramado, o longa se preocupa em apresentar um dos gênios da fotografia brasileira da forma mais favorável, se esquivando de questões polêmicas.

Um dos grandes méritos do documentário é ter acesso amplo, inclusive entrando na casa de um dos maiores fotógrafos do mundo. Visto que apesar de sua fama internacional, ele é arredio a falar sobre sua vida pessoal e seu trabalho.  Entretanto, Revelando Sebastião Salgado é um longa (um dos pontos baixos do filme é sua duração e o ritmo que entedia no final, ao perpetuar o mesmo enfoque) que traz o seu personagem central contando para a câmera com clareza e objetividade toda sua trajetória. Isso foi facilitado pela presença de Juliano Salgado, filho de Sebastião, como roteirista do documentário. E se isso abriu as portas, certamente as fechou para o lado mais maniqueísta do artista. Ele fala com fluência sobre sua infância na cidadezinha de Aimorés até as viagens pelos diversos lugares inóspitos do planeta nos últimos anos por conta de Gênesis, seu mais recente projeto, em que registra a natureza ainda intocada ao redor do planeta. Entre um extremo e outro desse caminho, Salgado fala de sua formação como economista, a descoberta da, a trajetória como correspondente de guerra e as imagens em preto e branco que lhe deram notoriedade, assim como o engajamento social e ter presenciado o atentado a Ronald Reagan.  

Além de enaltecer o merecido lado genial de Salgado, o filme produzido para a TV Cultura (que não deve ser exibido nos cinemas), opta por mostrá-lo quase como um "santo" - passando longe de polêmicas como a "estatização" da pobreza e suas fotos que enalteceram os membros do Movimento dos Sem Terra quase como mártires. Outro incomodo da produção é Revelando Sebastião Salgado começar com o filho Juliano Salgado acompanhando a equipe de filmagem até a intimidade doméstica do pai, uma insinuação falsa de que o filho talvez seja quem vai ser o narrador da história. O que logo se revela uma farsa. O longa ainda traz os depoimentos de Sebastião se alternam com imagens feitas pelo próprio fotógrafo em sua carreira e por registros de viagem clicados por sua mulher, Lélia Wanick Salgado. O resultado apesar de partidário é bom, mais um função da trajetória profissional e da genialidade do personagem título.

Antes da exibição do longa na noite de abertura do Festival de Brasília, houve a apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, sob regência do maestro Cláudio Cohen e participação do violinista austríaco Benjamin Schmid, como solista no Concerto para Violão e Orquestra do compositor norte-americano Eric Wolfgang Korngold (compositor de trilhas sonoras de Hollywood).

 





Foto Por Junior Aragão


Foto Por Junior Aragão





Foto Por Junior Aragão