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EM BREVE NOS CINEMAS

A Sorte em Suas Mãos


Por: Zeca Seabra
12/09/2013


O que mais chama atenção nesta despretensiosa comédia romântica é a presença do cantor/compositor uruguaio Jorge Drexler. Ficamos esperando, a qualquer momento, que ele saque seu violão e entoe uma de suas brilhantes composições, mas isso não acontece. Mas Drexler não faz feio e manifesta algum carisma em seu primeiro papel de ator.
A sorte em suas mãos (La suerte em sus manos, 2013) dirigido pelo argentino Daniel Burman (de O Abraço Partido,2004) oferece (além de Drexler) uma modesta visão romântica sobre dois adultos que perderam a capacidade de se apaixonar.

Na trama, Uriel é um quarentão separado boa pinta que convive com os conflitos básicos de um homem comum de sua geração. Pai de duas filhas, fechado para outros relacionamentos e sem grandes ambições ele é viciado em pôquer, jogo que o faz sentir tão importante que chega a compará-lo a um esporte. Após se submeter a uma vasectomia para evitar futuros compromissos, Uriel encontra Gloria (Valeria Bertuccelli), uma ex namorada, com quem logo flerta.

Burman já comprovou que sabe muito bem manipular a sutil fronteira entre a comédia e o drama, mas desta vez exagera nos detalhes e se empolga demais com a leveza de um texto repleto de diálogos nem tão brilhantes assim.
Apoiado em duas narrativas paralelas, o diretor tenta driblar as mesmices e os clichês das comédias românticas, mas o roteiro (de sua autoria e de Sergio Dubcovsky) embora bem humorado, não possui consistência suficiente para impregnar os 110 minutos de projeção com algum interesse.

A narrativa naturalista e fragmentada e os cortes rápidos e curtos demonstram que o projeto possui uma lapidação artística elaborada e o dedo do diretor está sempre presente, mas não mais que isso. Alguns personagens secundários (como Susan, a mãe de Gloria, interpretada pela impecável Norma Aleandro) são desperdiçados em participações curtas e vagueiam sem muita importância pela trama que aposta na descontração como forma de transmitir um recado apenas agradável e passível de ser esquecido.